20.07.08

Tem que ser bem pensada, bem planejada. Para onde ir depois de tudo? O que levar. Deixar o que? A lei diz que tem que dividir. Eu não quero. Só quero meus livros, discos e filmes. Mais nada. O resto é lembrança em forma de cozinha, máquina de lavar roupa suja. Não pode voltar para os braços da mãe, é desonroso. É descomprir promessa feita. Acaba pensando que casar é mais fácil que descasar. Pra casar basta o sonho, o amor. Pra descasar só ódio não basta. Na verdade é melhor que não exista tal sentimento, torna tudo mais difícil.

A facilidade já não é parte da vida desde muito tempo. Agora as responsabilidades existem para além da turma do teatro ou da escola. Emprego que paga pouco, faculdade que exige muito. Lamentação tem período certo para acontecer. Depois tem que encubar, deixar guardado o sentimento e seguir em frente. Mesmo que seja sem lenço e sem documento. Construir vida nova não é fácil. Mas eu quero a dificuldade. Eu quero fazer tudo de novo, mas desta vez sozinha.

Não chora, assim eu choro também. E vai doer, porque já não tem mais lágrimas. Vai doer dor física. Porque a dor no coração, ou na alma (como melhor lhe prover) ainda está aqui, bem forte. Parece que não vai cessar. Se ainda quem chorasse fosse ele, mas não aguento ver mãe chorando. Da um nó na garganta. Vai dar tudo certo. Não vai acontecer nada de ruim, confia em mim. Amanhã já terei saído de lá, daquela casa, daquela vida.

O destino é incerto. Mas até gosto disso, dá sensação de que pode ser melhor. Sem ressentimentos, é só o que eu quero. Deixar de dividir sem ressentimentos. Me dá um abraço. Quando tiver pouso certo te dou meu endereço.


Daniela     6:38 pm     322 palavras no texto.   
Em palavras 1 comentário


04.06.08

Na madrugada uma chuva fina começa a cair lá fora, Rubens cai no sono. Em meio a sonhos estranhos envoltos em um lençol branco ele acorda. O apartamento continua vazio. Em um rompante levanta e vai até a geladeira e bebe água, um gole atrás do outro. Depressa. O Sol não demoraria a chegar e um novo dia batia a porta. Ele senta em uma cadeira e fita demoradamente a cesta de pão vazia. O dia vai raiando. Ele veste um casaco e sai, desce as escadas devagar e quando chega lá embaixo se dá conta de que esqueceu as chaves do portão do prédio. Volta para o apartamento, e ao chegar lá em cima desiste de sair. Não havia motivos para sair, eram seis da manhã. Não haveria nada aberto, a não ser os botecos da cidade com um bando de bêbados atazanando. Contenta-se com algumas bolachas escondidas no fundo do armário. Estavam velhas. Também pudera, elas eram do tempo em que Alice ainda frequentava aquele lar. Quando aquele lugar ainda poderia ser chamado de lar. Mas já fazia muito tempo que ela não aparecia. Comeu algumas e guardou o resto. Não as colocou fora. Talvez por ter ali, naquele pacote, um pouco de esperança de que tudo poderia voltar a ser como antes.

* Leia também a primeira e a segunda parte deste conto em retalhos.


Daniela     6:31 pm     277 palavras no texto.   
Em conto 1 comentário


29.05.08

Não venha me dizer que pode viver de Sol

Porque hoje está chovendo e não há sinais de que vá parar tão cedo!


Daniela     3:08 pm     26 palavras no texto.   
Em palavras Comente


16.05.08

Pra que lado eu vou?

Sigo em frente?

Volto atrás?

Ou será que só importa o deslocamento?


Daniela     4:12 pm     34 palavras no texto.   
Em poeminha Comente


24.04.08

Olha ao redor e não vê ninguém. Não tem viva alma a lhe esperar. E lá dentro ele sabia que era tudo o que queria. Caminha até a cozinha. Abre a geladeira. Pega uma garrafa de vinho branco, serve uma taça e bebe tudo em um gole como se aquela fosse a última porção de vinho do mundo. Dirige-se para o sofá liga o rádio em alguma estação qualquer e deita com o olhar perdido na noite que se desvendava pela janela aberta. Nenhum som, nem mesmo da música a tocar ou dos carros na avenida em frente a seu prédio lhe chama a atenção. Desliga o rádio.

*Leia a primeira parte deste conto em retalhos aqui.


Daniela     2:47 pm     141 palavras no texto.   
Em andanças, conto 1 comentário


23.01.08

Foto: Daniela Soares

- Grrrrrrrrrrrr.
- Socorro! Socorro!
- Não minha senhora, eu não queria assustá-la, eu vim aqui declarar meu amor por você.
- Socorro! Socorro! … Anh?
- Isso mesmo, eu estou apaixonado, perdidamente apaixonado senhorita Helena Maria.
- Óh! Mas como pode ser, eu nem o conheço.
- Permita que eu me apresente: Sou Antônio Augusto, contador e nas horas vagas faço pontas como animal desvairado que come gente nos filmes de Hollywood, às suas ordens.
- Muito prazer senhor Antônio Augusto. Como já sabe meu nome não é necessário que me apresentes, não é?
- É claro madame. Posso cometer a ousadia de lhe convidar para um café?
- Claro.


Daniela     1:39 pm     149 palavras no texto.   
Em Diálogos 1 comentário


27.11.07

Rubens caminha todas as manhãs nas mesmas alamedas de Porto Alegre. Em busca de algo que nem mesmo ele sabe. O que importa é o deslocamento. Sobe e desce ladeiras, lombas. Segue reto, dobra à direita, depois à esquerda. Sempre cantarolando uma música. Uma música indecifrável, inventada de pronto, ali mesmo, naqueles instantes de andanças. Para sempre na mesma esquina. Entra no prédio, sobe o elevador até o quarto andar. Abre porta, fecha porta. Ascende a luz.


Daniela     3:09 pm     80 palavras no texto.   
Em andanças, conto 3 Comentaram


10.11.07

Poema. Pô. É mágico.


Daniela     8:27 pm     4 palavras no texto.   
Em poeminha 1 comentário


08.11.07

Mal começou e já ganhou! Revelação no sítio Deletéria!

Revelação.


Daniela     7:37 pm     43 palavras no texto.   
Em bonecando! Comente


05.10.07

Sobreposição de cores

Mistura

Super Posição de formas

Criatura


Daniela     10:56 pm     11 palavras no texto.   
Em poeminha Comente


« Anterior

 Assine o Feed

boneca

Boneca de linha ultrapassada, contação.

passado

calendário
July 2008
S M T W T F S
« Jun    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

categorias


meta